terça-feira, 24 de maio de 2011

Ele não se deixa agarrar, é do mundo; tem sede de saber; não me diz o que sente porque acha que isso é só dele; acha que há tempo para tudo; vive muitas vezes no fio da navalha; as coisas são como ele quer, não como os outros querem, se forem como os outros querem, deixam de ser; lembra-se de mim nas horas mais inusitadas; está dias para responder a uma simples pergunta; escreve bem, demasiado bem; faz-me sorrir; emociona-me; ele é dele próprio e no dia em que percebi e aceitei isso, foi o dia que me almorei por ele.


Foi num fim de tarde, sozinha, de carro em frente à Casa da Música que pensei: não posso, nem devo esperar nada de ti. E assim, começou um outro momento, um momento muito mais sereno em que não espero nada e tenho tudo.

8 comentários:

Pupa disse...

A vida toma caminhos diferentes, descruza amigos pela sede que vamos ganhando e pela forma como arquitectamos os planos de vida.

Podemos ter sedes diferentes, uns querem algo menos forte, outros algo mais arrojado.

Uns querem planear a vida em cada ponto, outro deixam uma parte da sua vida ao destino.

Para sustentarmos uma relação tanto de amizade como de amor, temos de ter uma sede em comum.

Só sedas disse...

Costuma-se dizer isso mesmo, que quando não esperamos nada de ninguém é quando mais temos mas na prática não é assim tão fácil...

myrtille disse...

A descrição que fazes do teu almor é de tal forma coincidente com a minha história de vida que chego a pensar se não estaremos a falar da mesma pessoa... Por causa da forma verdadeira e tão real como descreves este tema, o teu blog tornou-se naquele que consulto diariamente em 1º lugar. Espero sinceramente que, pelo menos tu, um dia possas partilhar o teu caminho totalmente ao seu lado.

Gypsy disse...

Já dizia a autora que eu menos gosto, Margarida Rebelo Pinto: "é quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração".

Este Blogue precisa de um nome disse...

myrtille

Olá, acho que não que não estaremos a falar da mesma pessoa, mas nunca se sabe... :) Mas eu não vou e nem quero partilhar o meu caminho ao seu lado, quero que ele viva para sempre dentro de mim e comigo, mas não ao meu lado. Nós não cabemos na vida um do outro. Senão seria amor e não almor :)

Gypsy

Olá :) Conheço a frase e até já a escrevi aqui no blogue a propósito dele mesmo. Mas ele não vive no meu coração, ele vive cravado na minha alma que é algo muito mais profundo e muito complicado de eu explicar. Quem sabe um dia aventuro-me num texto... Beijo ;)

Gypsy disse...

Aventura-te que eu estarei aqui, com toda a certeza, para ler... :)

Pim Pim disse...

roubei foto. Amei

Gypsy disse...

(podes publicar, ou não, fica ao teu critério) Realmente, pela descrição parece algo transcendente.. E digo parece porque sei que nunca vivi nada assim.. Nem sei se alguma vez viverei.. Já amei, e amo.. Muito mesmo. Mas se estou a sofrer é porque necessito de toda a partilha que no "almor" não existe.
Mas se essa forma de "estar" (se é que se pode dizer assim) te faz bem, ou melhor, não te faz mal, fico contente por ti e por saber que há pessoas que têm a capacidade de "almorar".