quinta-feira, 8 de maio de 2014
é inspirar e seguir em frente
ins·pi·rar
[verbo transitivo]
1. Atrair (o ar) aos pulmões.
2. [Figurado] [Figurado] Causar inspiração a; sugerir.
3. [Teologia] [Teologia] Iluminar o espírito.
verbo pronominal
4. Receber inspiração; pedir a inspiração
"inspirar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
quarta-feira, 7 de maio de 2014
vivo dentro do teu desejo
acordo, adormeço, rio, choro, sorrio, zango-me, faço as pazes, deito-me, levanto-me, tudo dentro dele: do teu desejo.
★
"Um dia sem um orgasmo não é um dia; é um erro.
Chegares ao final de um dia, olhares para trás e não encontrares um orgasmo é a prova de que afinal ainda não chegaste ao final do dia. Quando chegas ao final do dia e não contabilizaste um orgasmo tens de esticar o dia, tens de fazer valer o dia: tens de fazer valer a pena o dia. Cada dia tem de ter um orgasmo dentro. Ou mais do que um orgasmo dentro. Cada dia tem de ser um orgasmo de dentro. E se não pode ser o orgasmo do sexo... que seja o orgasmo do riso; e se não pode ser o orgasmo do riso que seja o orgasmo da voz; e se não pode ser o orgasmo da música que seja o orgasmo da pele. Se não puder ser um orgasmo: que seja outro orgasmo. Mas que seja orgasmo. Viver só é viver quando é orgasmo. Com corpo ou sem corpo: orgasmo. Viver é a única forma de orgasmo. E o orgasmo é a única forma de vida. Desta e de todas as vidas. Desta que é a tua vida."
Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas
adoro
este blogue: momentos. simplesmente adoro a escrita do JD, ele sabe-o, porque já tive oportunidade de dizer-lhe. sim, eu digo tudo. se adoro porque não haveria ele de saber? nós devemos dizer quando gostamos de algo, sou totalmente defensora disso. há tão poucos homens a escrever assim. não é escrever bem, que desses conheço alguns, é escrever sobre sentimentos.
terça-feira, 6 de maio de 2014
foda-se, tão bom
Comecei a amar-te no dia em que te abandonei.
Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.
De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.
Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles.
Pedro Chagas Freitas in "Prometo Falhar"
Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.
De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.
Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles.
Pedro Chagas Freitas in "Prometo Falhar"
segunda-feira, 5 de maio de 2014
{private post}
há surfistas que em cima de uma prancha, dançam. ontem estive uma hora e meia a ver-te surfar. não tirei os olhos de tão deslumbrada que fiquei.
[praia d'el rey]
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