sábado, 20 de novembro de 2010
Só à noite consegui ler os emails das minhas leitoras. Obrigada, meninas. Obrigada, vou responder um a um. Dizerem-me que estão felizes que tenha corrido com o bandalho da minha vida fez-me dar risadas, dizerem-me que estavam com saudades fez-me sorrir, dizerem-me que são viciadas no meu blogue fez-me ficar muito feliz. Vou responder um a um, prometo. São muitos, mas respondo.sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Meu querido avô A. :
Adoro pessoas que não sabem escrever português, mas que têm a mania que sabem. Que escrevem poix, em vez de pois. Esta nunca entendi, porque é uma letra não percebo porque é que fica mais rápido escrever o x ao invés do s, mas tudo bem. Depois escrevem "à bocado" e "á bocado" ao invés de há bocado; escrevem axar em vez de achar; komo em vez de como (também só uma letra). Tinha mais no meu telefone ontem, mas apaguei. Foi pena. Quando (a pessoa que ontem escreveu isto tudo) foi alertada para o facto de há bocado ser com H, assumiu-se como douta em língua portuguesa e disse: só se emprega o verbo haver quando algo existe. O tempo não existe, fofa, foi uma invenção dos portugueses. E diz ela: escrevo por abreviaturas. Menina, abreviaturas não são essas calinadas. Abreviaturas são palavras, como: tb (também); qto (quanto); pq (porquê ou porque); mm (mesmo) e por aí em diante, que existem para nos simplificar a escrita informal. Não se aplica ao seu caso e não as costumamos usar com quem fazemos cerimónia. O que você faz é assassinar a língua. Sei que não é a sua língua, mas há um limite para tudo. Se aprendeu podia ter aprendido direito e não com um adolescente. Eu não escrevo bem, mas quando me corrigem tenho a humildade de aceitar a crítica. Faz parte do meu carácter.
Estou com ganas de voltar a escrever aqui. Que bom, a Rita voltou. Há males que vêm por bem e o que aconteceu levou para longe a má energia. Ainda tenho o problema inicial (aquele que há dez anos deveria estar resolvido), mas o resto flui. O resto resolveu-se. Sinto-me tão bem com isso. O bem triunfou sobre o mal. As fadas ganham sempre às bruxas.
Acabei de ficar "nua" na rua. Vai a Rita toda armada em pingarelho de vestido curto, vem uma rajada de vento que literalmente me levanta o vestido. Como não uso collants (que odeio), fiquei de meias de liga* e cuecas, aos gritos. Tentei baixar aquilo de todas as maneiras, só resultou quando o puxei todo para a frente e pus a carteira à frente. Constatação do dia
A propósito das aulas de escrita criativa
Adoro quando me descobrem a alma por aquilo que escrevo. E tu sabes fazê-lo. Nunca reparei se me ouves atentamente, mas já reparei nos teus comentários certeiros. E no teu sorriso, que está também nos olhos. Esses olhos que olham sempre directamente nos meus, sempre. E eu gosto porque são sinceros e porque são castanhos. quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Sei que este texto já foi aqui publicado mas nunca fez tanto sentido como hoje
(...)Porque pior do que um homem com mau carácter, é um homem sem carácter. Um ‘sem-carácter’ não olha de frente, olha de lado, não diz nem ‘sim’ nem ‘não’, diz muitas vezes ‘talvez’ e ‘se calhar’. (...) operando em tabuleiros paralelos, armado em campeão de xadrez. Não raro tem dois ou três telemóveis e vários endereços de e-mail. É um artista de circo altamente treinado em acrobacias emocionais, capaz de grandes piruetas e quedas à gato, sempre com os pés no chão, com ou sem rede. Nem sequer é uma espécie, porque como não tem categoria nenhuma, é mais uma subespécie, meio homem, meio verme, já que possui sangue frio e lhe falta espinha dorsal.(...) Um bandalho é sempre um bom bandalho, seja à mesa de reuniões ou à mesa de jantar. E por fim, no corolário da canalhice, existe ainda o tipo sem carácter que finge que é bestial e se faz sério, de bom amigo, de bom chefe, de bom irmão e de bom marido. E esses, infelizmente, proliferam na sociedade portuguesa (...)
MRP
Foi sim
Tudo um sonho: o meu. Tudo uma fantasia. Tudo mentira. Tudo uma ilusão. Os sorrisos foram parvos mesmo, sou uma pateta ingénua. Não andei nas nuvens, andei num lugar inexistente, num lugar que não pretendo voltar, onde não existe nada. Esse lugar feito de ilusão, tem objectos, tem sentimentos, tem sonhos mas quando nos aproximámos e tocamos, eles rebentam como uma bola de sabão. Rebentou tudo, não ficou nada. E agora sei que não estava louca, que o louco é ele. Agora sei que sou muito melhor que ele. Agora sei o que é um sem carácter, um insensível, um monstro, um grande filho da puta. Agora sei, mas foram precisos 37 anos para descobrir que afinal existe mesmo aquilo que toda a vida me disseram que existia. Trinta e sete anos. Fui uma mulher com sorte, não fui? Vivi 37 anos a achar que as pessoas são quase todas boas. Foi tudo uma mentira, sim Senhor. Foi tudo um sonho. Obrigada minhas boas amigas, vocês viram antes o que o meu coração não me deixou ver.**este post vem na sequência deste e deste
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Querido Blogue
sábado, 13 de novembro de 2010
Eu vejo-me grega para que me entendam
Ou sou eu que escrevo muito mal ou as pessoas que não entendem o que escrevo, mas a verdade é que por vezes fico pasma com coisas que me dizem.sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(...)
Álvaro de Campos
Olho para o blogue e não o reconheço, não me reconheço a mim própria. A tristeza impede-me de escrever aqui. Eu tenho escrito - e muito - mas aqui não o consigo fazer. Talvez porque aqui muita gente lê e o que tenho escrito é para mim, ou para um máximo de 10 pessoas (nas aulas). Isto vai passar, eu sei que vai.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Esclarecimento ao post anterior
terça-feira, 9 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Este fim-de-semana sofri um baque enorme. Aguardei-o durante 10 longos anos. Devia estar preparada? Devia, mas não estava. Tal como uma doença fatal numa pessoa que nos é querida, sabemos que ela vai morrer mas quando chega o dia dói na mesma. Estou baralhada, estou triste, preocupada com a minha filha. Desde ontem à noite estou maluquinha, sem um discurso coerente, numa ansiedade sem fim. O último sítio onde queria estar era aqui onde estou. Queria voltar a ser pequenina e me pegassem ao colo.sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Já não tem esse efeito, a tua voz...
A parte que mais gosto dos encontros...
... são as minhas amigas. Passo a explicar: quando tenho um encontro, as minhas amigas ficam mais histéricas do que eu. Horas antes começam os telefonemas para perguntarem o que vou vestir, darem dicas, conselhos, dão gritinhos histéricos e tudo. Num dos últimos - em finais de Julho - passei por acaso em casa da M. porque ia tomar café com ele ali ao lado. Nem queiram imaginar: obrigou-me a pôr um creme xpto nos braços, a pentear o cabelo com uma cera de abelhas, a atirar a cabeça mil e uma vez para trás e para a frente. Foi uma risota pegada e não desfazendo na pessoa com a qual me fui encontrar, foi a parte mais divertida do encontro.Quando li este texto nem queria acreditar. Tudo o que sinto agora
Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.
E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.
Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.
Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.
Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.
Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.
MRP
ohhhhhh
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Acho que já só internamento é capaz de resolver esta minha doideira
Estou no youtube a ouvir músicas românticas (do mais piroso que há) com as lágrimas nos olhos.
Soneto da Fidelidade - Vinicius de Moraes
Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Não me canso de ler este poema, chego a lê-lo vezes sem fim. Acabei de fazer um texto a partir dele (intertexto). Estou apaixonada por Vinícius.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Gosto de pessoas felizes, de pessoas que me sorriem sem eu as conhecer, de pessoas com gargalhada fácil, gosto de pessoas que têm sempre uma piada, um gesto simpático. Gosto de pessoas que falam comigo na fila do supermercado, gosto de pessoas que dizem o obrigada e o se faz favor naturalmente. Gosto de pessoas sorridentes, gosto de pessoas simpáticas. Gosto de ver pessoas a cantarem sozinhas no carro. Gosto de pessoas com boa energia.Dói o silêncio
Quando estou em fases, digamos que menos boas, recebo muitos mais emails. Desde o post do telemóvel que não toca, tenho lido histórias de (des)amor inacreditáveis. Há imenso desencanto em todas elas o que me deixa triste, porque embora não seja propriamente uma romântica e daquelas fervorosas crentes no amor, vejo que ele existe à minha volta e acredito que é possível ser-se feliz com alguém ao lado. Uma das queixas mais comuns em todos os emails é o silêncio do outro lado, a ausência de um gesto, de uma chamada para saber como estamos, isso é o que dói mais. O silêncio, como eu costumo dizer, dá para tudo. Dá para pensarmos em tudo, em várias hipóteses, porque o silêncio pode ser qualquer coisa. Nunca fui boa a interpretar silêncios e já deixei de o fazer, mas que dói, dói. Ontem recebi um email de uma leitora que dizia: "O que mais me está a custar é o silêncio. O facto de parecer que para ele não existo.". Será que é possível alguém existir no silêncio? Será que é possível eles se lembrarem de nós e mesmo assim não quererem ouvir-nos ou saber como estamos? Foi há 11 anos...
... que nasceu um príncipe. Foi o primeiro, era um varão como se quer e depois dele só nasceram princesas. Ele por vezes irrita-se com tantas raparigas à volta, mas a sua tia acha que isso vai fazer dele um rei à altura de um reinado com muitos hectares e muita fartura. Já lida com princesinhas há tanto tempo que vai ser um homem daqueles que todas as mulheres vão querer: um cavalheiro. Parabéns, Luisinho.terça-feira, 2 de novembro de 2010
MC # 16

Apagar, não tenho coragem...
Acho que vou imprimir tudo e pedir a alguém para guardar bem longe. Só quero voltar a lê-las quando tudo isto tiver deixado de doer. Acabo sempre por lá ir, sempre. Choro tanto, não é possível, já passou tanto tempo. Dói imenso, uma dor que não sei descrever, parece uma faca no coração e alguém a roda sem parar. Às vezes culpo-me, mas depois penso que deve ser triste passar por aqui e não viver nada semelhante. segunda-feira, 1 de novembro de 2010
A trégua - Mario Benedetti
Há mais de um ano que um livro não me fazia chorar desta maneira. Não vou dizer que delirei com o livro, mas gostei. A parte final, li-a como se fosse uma despedida e chorei até perder a respiração. Valeu, quanto mais não fosse pela intensidade do fim.
Mais um dia sem ti, mais um dia sem ouvir a tua voz. A minha alma está mais quieta, mas ainda treme quando penso em nós. Todos os dias sonho contigo, todos. Não são sempre sonhos, por vezes assemelham-se mais a pesadelos, mas são tão reais. Todos os dias acordo estremunhada, sem saber naqueles primeiros minutos se foi real. Depois caio na "minha real" e vejo que te perdi, sem nunca te ter tido. Será possível? Para mim foste meu, naqueles breves momentos DO abraço. E há uma parte tua viva dentro de mim, a parte em que eras: generoso, sorridente, amigo, altruísta, doido, simpático, sensível, bem-disposto, com carácter, paciente, com um coeficiente de inteligência emocional acima da média, essa parte vai viver sempre dentro de mim. O que veio depois, está a morrer aos poucos. O outro vou guardá-lo dentro de mim para sempre. Nos dias menos bons, vou lembrar-me daquele que foi meu por um minuto e vou sorrir com certeza. Obrigada por isso. (...) *





























