sábado, 20 de novembro de 2010

Constatação do dia

Amiga: Os homens gostam de mulheres sonsas, manipuladoras e mentirosas. É com essas que eles ficam.

O meu vizinho antes de ir de fim-de-semana com o filho, deixou-me entre outras coisas um livro de poesia: Cem poemas de Emily Dickinson. Estou calejada, com medo. Em pavor, mesmo. Mas vou ler o livro e ver os filmes. O livro e os filmes não me podem fazer mal, pois não?

Frase do dia


"Voltaste a ser a NOSSA Rita".

Só à noite consegui ler os emails das minhas leitoras. Obrigada, meninas. Obrigada, vou responder um a um. Dizerem-me que estão felizes que tenha corrido com o bandalho da minha vida fez-me dar risadas, dizerem-me que estavam com saudades fez-me sorrir, dizerem-me que são viciadas no meu blogue fez-me ficar muito feliz. Vou responder um a um, prometo. São muitos, mas respondo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A minha filha viu-me agora a chorar pelo meu avô e eu só fui capaz de lhe dizer:
- Espero que um dia sejas capaz de agradecer à avó tudo que ela faz por ti agora. Espero que sejas uma grande mulher, muito melhor que eu.
- Mas a mãe é boa.
- Ainda bem que achas isso, filha. Mas eu quero que sejas melhor do que eu. Muito melhor.
- Mas eu quero ser como a mãe, tão boa como a mãe.

Meu querido avô A. :

Se o avô fosse vivo hoje faria 118 anos. Morreu há 36 e embora eu só tivesse um ano e meio (e a maior parte das pessoas não acredite) lembro-me perfeitamente do avô. O avô dava-me chocolates às escondidas da mãe e pedia para eu não lhe contar. A minha mãe só passou a acreditar na história, quando eu lhe revelei que me lembrava de uma sarda grande que o avô tinha na mão.
Escrevo este post emocionada e com as lágrimas nos olhos, porque tenho saudades de não o ter conhecido bem. Somos 19 netos e só eu, o F. e a J. não pudemos gozar da sua companhia, da sua sabedoria, da sua bondade. Nunca me canso de ouvir histórias do avô, ainda hoje com 37 anos. Sabe avô, acho que no fundo procuro um homem como o avô foi: íntegro, com carácter, amigo, bondoso, bonito e que me ame como eu sei, ainda hoje, que o avô me ama. Eu sinto-o todos os dias. Eu sinto que o avô está sempre aqui comigo, sempre. Todos os dias falo consigo em pensamento e por vezes em voz alta também. Quando choro, sei que o avô está ali a fazer-me festas. Quando lhe peço sinais o avô manda-mos. Eu vejo avô, eu sinto. Às vezes pode parecer que não, porque já sabe que cedo à impulsividade, ao meu coração. Eu sou assim avô, não gostava que se desiludisse comigo por não os ver logo. Mas herdei a sua bondade, a sua honestidade e isso deve ser motivo de orgulho para si. Gostava de ser mais parecida e acredite que todos os dias tento. Eu sei que o que aconteceu nos últimos dias foi obra do avô e o que aconteceu há pouco na garagem também. Eu tenho medo do que aconteceu na garagem, avô. Posso continuar a confiar nas pessoas, avô? Como o avô confiava? O avô vendia um terreno com um aperto de mão. Eu também sou assim e quero continuar a ser. Ajude-me, avô. Ajude-me daí de onde está. Continue a ajudar-me. Guie-me o caminho. Parabéns, avô. Um beijo muito amigo da Ritinha.

Já pensaram que a nossa vida pode mudar num minuto? Num segundo. Eu acho que a minha está a mudar e começou há pouco, na garagem do meu prédio, com uma conversa.

Adoro pessoas que não sabem escrever português, mas que têm a mania que sabem. Que escrevem poix, em vez de pois. Esta nunca entendi, porque é uma letra não percebo porque é que fica mais rápido escrever o x ao invés do s, mas tudo bem. Depois escrevem "à bocado" e "á bocado" ao invés de há bocado; escrevem axar em vez de achar; komo em vez de como (também só uma letra). Tinha mais no meu telefone ontem, mas apaguei. Foi pena. Quando (a pessoa que ontem escreveu isto tudo) foi alertada para o facto de há bocado ser com H, assumiu-se como douta em língua portuguesa e disse: só se emprega o verbo haver quando algo existe. O tempo não existe, fofa, foi uma invenção dos portugueses. E diz ela: escrevo por abreviaturas. Menina, abreviaturas não são essas calinadas. Abreviaturas são palavras, como: tb (também); qto (quanto); pq (porquê ou porque); mm (mesmo) e por aí em diante, que existem para nos simplificar a escrita informal. Não se aplica ao seu caso e não as costumamos usar com quem fazemos cerimónia. O que você faz é assassinar a língua. Sei que não é a sua língua, mas há um limite para tudo. Se aprendeu podia ter aprendido direito e não com um adolescente. Eu não escrevo bem, mas quando me corrigem tenho a humildade de aceitar a crítica. Faz parte do meu carácter.

Conselho: faça como a minha cunhada (que é sueca), manda-me mensagens em português quando não sabe uma palavra, escreve-a em inglês. Quando chega a casa pergunta ao meu irmão ou vai procurar ao dicionário. Agora pelo amor de Deus, não assassine a minha língua e não passe por ignorante à frente de quem se quer mostrar o máximo.

Apaguei o último post, porque embora adore Florbela Espanca, não espelha aquilo que sinto agora. Ela era muito depressiva e eu neste momento sinto-me livre. Logo, nada a ver.
Nota: os meus posts são agendados e se ontem achei que se adequava, hoje acho que não. já sabem que sou inconstante.

Estou com ganas de voltar a escrever aqui. Que bom, a Rita voltou. Há males que vêm por bem e o que aconteceu levou para longe a má energia. Ainda tenho o problema inicial (aquele que há dez anos deveria estar resolvido), mas o resto flui. O resto resolveu-se. Sinto-me tão bem com isso. O bem triunfou sobre o mal. As fadas ganham sempre às bruxas.
E se calhar vou passar para aqui uns textos das minhas aulas de escrita criativa. Alguns deles são íntimos, mas como agora sei que foram escritos para alguém que não existe, não me custa publicá-los aqui. Esses tais textos foram merecedores de elogios do meu professor. Deixem-me ser vaidosa, por favor.

Acabei de ficar "nua" na rua. Vai a Rita toda armada em pingarelho de vestido curto, vem uma rajada de vento que literalmente me levanta o vestido. Como não uso collants (que odeio), fiquei de meias de liga* e cuecas, aos gritos. Tentei baixar aquilo de todas as maneiras, só resultou quando o puxei todo para a frente e pus a carteira à frente.
Nesta terra de vento, só de jardineiras mesmo...
* não sei se é assim que se chama. são de liga mas sem liga. com silicone, sabem como é?

Constatação do dia


Ontem estive com duas amigas a falar da verdadeira história do bandalho que invadiu a minha vida. Mas atenção que era um bandalho vestido de intelectual que tinha como parceira (sem eu saber) uma aia vestida de Heidi. Tudo relatado, tudo devidamente documentado com sms, assistido pelas minhas amigas (logo, tenho testemunhas). Estávamos juntas em silêncio o meu telefone é que tocou, logo a mensagem era dela. Se calhar, conseguiria de caneta na mão a tirar notas, pô-lo a tocar.Mas não, não fui eu que o fiz. Ou se calhar, tenho capacidades que nunca explorei.
É uma tristeza ver como um homem se deixa manipular por uma mulher. Se há uma coisa que eu não faço é mentir, não minto pronto. Pois a gaja convenceu-o que eu estava a mentir. E ele acreditou. Mais tarde, estava eu quieta numa reunião de trabalho e de repente o meu telefone começa a tocar com mensagens disparatadas. Pedi ajuda ao bandalho para acalmar a Heidi. Pois pasmem-se que a Heidi levou a melhor. E eu insultada porque estava a incomodar a florzinha.
A constatação do dia foi, que isso só acontece pela ausência total de carácter dos dois. Só pode. As mulheres são terríveis e eles uns fracos que se deixam manipular. Ainda bem que vão ficar juntos. Já imaginaram o sofrimento que iam causar se se juntassem a gente decente? Cada macaco no seu galho. Os decentes com os decentes, os escroques com os escroques.
Adenda: Acabei de me lembrar de uma frase dela deliciosa: ele vai sempre confiar em mim. Ah ah ah ah então havia de confiar em quem? Em mim não, naturalmente, qua nada tenho a ver com ele.

A propósito das aulas de escrita criativa

Adoro quando me descobrem a alma por aquilo que escrevo. E tu sabes fazê-lo. Nunca reparei se me ouves atentamente, mas já reparei nos teus comentários certeiros. E no teu sorriso, que está também nos olhos. Esses olhos que olham sempre directamente nos meus, sempre. E eu gosto porque são sinceros e porque são castanhos.
Gostei naquele dia em que disseste: " (...) se calhar é por seres coerente (...)" ou quando disseste: "aqui ninguém escreve discurso directo como tu.". Gostei, gostei muito, porque tu apanhas-me. Já agora: passas-me a lata das bolachas P.?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Post privado

Eu não minto. Eu não minto mesmo e quando digo que uma coisa aconteceu de determinada forma é porque aconteceu mesmo assim. Gostava de ser cabra, mas não sou. Eu não minto. Eu não minto. Eu não minto. Eu não minto e sobretudo não sou manipuladora.

Dois valentes baques numa semana, acordaram-me. Aos poucos, vou voltar aqui ao blogue. Aqui não há mais lugar para tristezas. Mais uma vez, o bem ganha ao mal e isso deixa-me tão feliz. A verdade vem sempre ao de cima, sempre. E o carácter também.

Sei que este texto já foi aqui publicado mas nunca fez tanto sentido como hoje

(...)Porque pior do que um homem com mau carácter, é um homem sem carácter. Um ‘sem-carácter’ não olha de frente, olha de lado, não diz nem ‘sim’ nem ‘não’, diz muitas vezes ‘talvez’ e ‘se calhar’. (...) operando em tabuleiros paralelos, armado em campeão de xadrez. Não raro tem dois ou três telemóveis e vários endereços de e-mail. É um artista de circo altamente treinado em acrobacias emocionais, capaz de grandes piruetas e quedas à gato, sempre com os pés no chão, com ou sem rede. Nem sequer é uma espécie, porque como não tem categoria nenhuma, é mais uma subespécie, meio homem, meio verme, já que possui sangue frio e lhe falta espinha dorsal.

(...) Um bandalho é sempre um bom bandalho, seja à mesa de reuniões ou à mesa de jantar. E por fim, no corolário da canalhice, existe ainda o tipo sem carácter que finge que é bestial e se faz sério, de bom amigo, de bom chefe, de bom irmão e de bom marido. E esses, infelizmente, proliferam na sociedade portuguesa (...)

MRP

Foi sim

Tudo um sonho: o meu. Tudo uma fantasia. Tudo mentira. Tudo uma ilusão. Os sorrisos foram parvos mesmo, sou uma pateta ingénua. Não andei nas nuvens, andei num lugar inexistente, num lugar que não pretendo voltar, onde não existe nada. Esse lugar feito de ilusão, tem objectos, tem sentimentos, tem sonhos mas quando nos aproximámos e tocamos, eles rebentam como uma bola de sabão. Rebentou tudo, não ficou nada. E agora sei que não estava louca, que o louco é ele. Agora sei que sou muito melhor que ele. Agora sei o que é um sem carácter, um insensível, um monstro, um grande filho da puta. Agora sei, mas foram precisos 37 anos para descobrir que afinal existe mesmo aquilo que toda a vida me disseram que existia. Trinta e sete anos. Fui uma mulher com sorte, não fui? Vivi 37 anos a achar que as pessoas são quase todas boas. Foi tudo uma mentira, sim Senhor. Foi tudo um sonho. Obrigada minhas boas amigas, vocês viram antes o que o meu coração não me deixou ver.*

*este post vem na sequência deste e deste

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Querido Blogue

Não imaginas as saudades que tenho daquilo que um dia senti por ti. Foste para mim durante muito tempo uma terapia, um amigo, por vezes até um confidente. Vinha aqui mais do que uma vez por dia. De noite no silêncio da casa, dedicava-me a escrever aquilo que saía publicado no dia seguinte. Eram uns minutos só nossos que me faziam bem, que me faziam feliz e onde acabava por descarregar as coisas más que tinha tido durante o dia. A pesquisa de imagens que fazia para aqui pôr - com os posts -, levou-me a lugares únicos, a ver coisas lindíssimas. Tenho saudades de chegar a casa e ter vontade de ligar o pc para ler os comentários, tenho saudades de aqui escrever, ler, sorrir, dar gargalhadas. Agora não tenho vontade e é como se tivesse perdido um amigo. Já gostei muito de ti, a sério. Muito mesmo, mas agora quando aqui venho, olho como se olhasse para o infinito - aquele olhar vago sem sentido nenhum. Do lado de lá da linha não há nada, tal como aqui.

Ainda a propósito do último post

Detesto histórias que se repetem... a minha família é PRO nisso. Cíclico, é impressionante...

sábado, 13 de novembro de 2010

Eu vejo-me grega para que me entendam

Ou sou eu que escrevo muito mal ou as pessoas que não entendem o que escrevo, mas a verdade é que por vezes fico pasma com coisas que me dizem.
O meu blogue não é ficção, o que aqui escrevo sou eu mesma, com mais floreado ou menos, é tudo verdade. Quando me pedem para escrever sem ter vontade, não imaginam o mal que me fazem. Oiço coisas do género: põe só fotografias/imagens, escreve sobre futilidades. Não me peçam isso, eu não sou assim. Eu só escrevo sobre o que me apetece escrever, não vou escrever posts por escrever ou para alimentar o sitemeter. Eu também sou fútil e todos o sabem, mas agora estou num momento em que não me apetece falar sobre isso. Estou num momento da minha vida que estou preocupada com coisas realmente importantes. Eu gosto de escrever aqui sobre tudo, mas tudo o que me vai na alma. Acho que se vê tão bem quando estou: apaixonada, desiludida, eufórica, triste, feliz,etc. Porque eu sou transparente e o blogue faz parte de mim. Neste momento, não está nada dentro da minha alma que valha a pena ser aqui escrito. Não me apetece escrever.
Acho que todos concordamos que ninguém gosta de estar triste. E eu muito menos, acreditem. Mas há momentos que são assim e o que trago dentro de mim há mais de uma década, em alguma altura tinha que ser resolvido. É um passado demasiado pesado, mas vou ter que ficar triste muito triste, porque quando descemos bem fundo, depois só nos resta subir e é o que eu sei que vai acontecer.
A mim não me apetece escrever aqui, lamento. Não me apeteceu estes dias e não me apetecia agora, mas tive que vir aqui desabafar por causa do que me disseram há pouco. Estou num momento da minha vida que o blogue me irrita. Isto vai passar, eu sei que vai... Esta é a minha natureza: sou de rompantes. Agora apetece-me ficar assim, quieta e calada. Mas vai chegar o dia em que vou querer falar, em que vou querer voltar a escrever. Pode ser amanhã, para a semana ou daqui a um mês.
Quando há uma semana disse que tinha sofrido um baque e disse que já o esperava há 10 anos, acho que se deduzia que era um baque que ia demorar a passar. E vai, demorar muito. Mas tudo com calma. Neste momento a tristeza fez-me perder a vontade de escrever aqui, como já houve momentos em que fez com que escrevesse desenfreadamente.
Todos que me lêem devem ter percebido que eu gosto de alguém. Pois até a ele tentaram colar esta história. Pois, se eu só o conheci em Agosto como é que poderia vir de há dez anos atrás? Por favor, não vejam coisas onde não as há. Eu estou bem, e vou voltar a escrever com a mesma frequência que escrevia. Mas agora quero ficar assim: aninhada, com uma botija de água quente, uma chávena de chá, a lamber as feridas para ficar boa rápido, rápido...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

(...)

Álvaro de Campos


Olho para o blogue e não o reconheço, não me reconheço a mim própria. A tristeza impede-me de escrever aqui. Eu tenho escrito - e muito - mas aqui não o consigo fazer. Talvez porque aqui muita gente lê e o que tenho escrito é para mim, ou para um máximo de 10 pessoas (nas aulas). Isto vai passar, eu sei que vai.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Esclarecimento ao post anterior

Quando digo: "estou aqui", refiro-me à blogosfera, como é lógico. Continuo a vir aqui e a ler os vossos blogues. *


*esclarecimento feito, devido a telefonemas e conversas tidas hoje na vida real.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estou aqui

Quieta e calada, mas estou.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tenho que pensar que isto é só mais uma provação. Eu vou vencê-la. Eu vou reencontrar a serenidade perdida há tantos anos. Eu vou reencontrá-la...

Este fim-de-semana sofri um baque enorme. Aguardei-o durante 10 longos anos. Devia estar preparada? Devia, mas não estava. Tal como uma doença fatal numa pessoa que nos é querida, sabemos que ela vai morrer mas quando chega o dia dói na mesma. Estou baralhada, estou triste, preocupada com a minha filha. Desde ontem à noite estou maluquinha, sem um discurso coerente, numa ansiedade sem fim. O último sítio onde queria estar era aqui onde estou. Queria voltar a ser pequenina e me pegassem ao colo.

A dor no meu peito é tão grande, o nó na garganta não se desfaz nem com as lágrimas, A minha tristeza é tão profunda que me impede não de falar, mas de escrever.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Já não tem esse efeito, a tua voz...

Perco o Norte, o Sul e o Este, só sei onde fica o mar. Esse sei sempre onde fica. É para onde eu caminho...

A parte que mais gosto dos encontros...

... são as minhas amigas. Passo a explicar: quando tenho um encontro, as minhas amigas ficam mais histéricas do que eu. Horas antes começam os telefonemas para perguntarem o que vou vestir, darem dicas, conselhos, dão gritinhos histéricos e tudo. Num dos últimos - em finais de Julho - passei por acaso em casa da M. porque ia tomar café com ele ali ao lado. Nem queiram imaginar: obrigou-me a pôr um creme xpto nos braços, a pentear o cabelo com uma cera de abelhas, a atirar a cabeça mil e uma vez para trás e para a frente. Foi uma risota pegada e não desfazendo na pessoa com a qual me fui encontrar, foi a parte mais divertida do encontro.

Mandarem-me ao supermercado é matarem-me. Eu não nasci para estas coisas de casa. Já às compras é outra coisa...

Quando li este texto nem queria acreditar. Tudo o que sinto agora

Estas palavras podiam ser minhas. Acabei de descobrir este texto e fiquei pasma da vida. Sem tirar nem pôr:

Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer.

E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor. Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.

Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer.

MRP

ohhhhhh

Ai que eu acabei de publicar um post do outro blogue neste. Ai que o post era íntimo. Ai que eu só faço asneiras. Ai que estou lixada. Ai que vão ficar a saber tanto como eu. Ai que não sei o que fazer. Ai que quem me segue vai sempre conseguir lê-lo. Ai que vocês não vão contar nada a ninguém, pois não?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acho que já só internamento é capaz de resolver esta minha doideira

Estou no youtube a ouvir músicas românticas (do mais piroso que há) com as lágrimas nos olhos.

Também acho...

E por vezes perco-me num único verso...

"(...)Uma mulher, uma beleza que me aconteceu(...)"

Caetano Veloso

Soneto da Fidelidade - Vinicius de Moraes



Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Não me canso de ler este poema, chego a lê-lo vezes sem fim. Acabei de fazer um texto a partir dele (intertexto). Estou apaixonada por Vinícius.

Ainda a propósito do post de ontem, um sorriso facilita-nos a vida em tudo. Entrei agora há pouco na lavandaria:
- Não me acredito, menina Rita, outra vez a roupa para logo ao fim da tarde... agora só para a semana...
- Oh, não me diga isso. Amanhã não tenho o que vestir (cof cof) e a MC não vai ter roupa para levar para o pai. (isto dito com um ar de pindérica inacreditável, mas com o maior dos sorrisos). Por favoooorrr....
- Pronto, já me levou na conversa. Logo às sete, pode ser?

A linha entre o amor e o ódio é tão ténue, que chega a ser assustador...

(e antes que venham para aqui especular, isto é uma constatação, não quer dizer que a tenha ultrapassado)


"As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul"

Caetano Veloso

Há uma grande vantagem de não viver com um homem nesta altura do ano: não o ouvir a queixar-se da minha queda de cabelo.
Deumalibre é cabelo por todo o lado*, será que vou ficar careca?
* e o que fica na banheira, no fim do banho?

Achei este texto delicioso

QUERO!


Não quero que me elogies a todas as horas, mas que me elogies quando eu menos estiver à espera!
Não quero que me acordes com o pequeno almoço, todos os dias, na cama, mas que me acordes da forma que sabes que é perfeito acordar…de vez em quando!
Que digas que sou perfeita, mas que sou uma perfeita imperfeição...
Que digas que me amas, porque isso é a coisa mais banal que alguém pode dizer.. mas que tornes a palavra mais profunda e verdadeira, apenas na hora exacta!
Não quero que digas que gostas de mim todos os dias, mas que mostres apenas que gostas , e muito!
Não quero que percas horas de sono acordado a ver-me dormir, mas quero acordar e que estejas a fazê-lo!
Não quero presentes a todas as horas, quero que tragas as mãos vazias e que me abraces apenas, será sempre a forma mais verdadeira de me receberes...
Não quero surpresas todos os dias, quero que cada dia seja uma surpresa..
Não quero que deixes de ser nada do que és, mas que as vezes me facas sentir capaz de mudar algo em ti...
Não quero frases feitas, quero que as faças para mim..
Não quero estar contigo num sítio perfeito, onde todas as pessoas gostavam de passar uma noite..quero que a magia venha de dentro e não de fora...
Não quero que digas que me levas ao lugar mais romântico do mundo, quero que pegues em mim de olhos fechados e apenas me leves...
não ao sítio mais romântico do mundo para todos, mas ao sítio que pode ser o mais romântico para nós dois.
Não quero que digas que sim a tudo o que digo, mas que procures sempre a minha razão, nas coisas que digo.
Não quero que seja sempre fácil, as facilidades não fazem parte nem da tua vida, nem da minha.
Não quero estar por estar, quero estar contigo por não existir mais lado nenhum onde queria estar naquele momento
Não quero que me tragas um ramo de flores todo elaborado, quero que passes por um jardim e tragas uma flor.
Não quero que tenhas medo de ter vertigens, mas ,quero que tenhas medo de olhar para baixo, nunca para cima..
Não quero ser uma forma de esquecer alguém do passado, nem quero que sejas uma forma de ultrapassar as minhas dúvidas, quero ser presente e quero saber que te tornaste único de uma forma que nem eu nem tu, planeamos.
Não quero textos que se apliquem a um número indefinido de pessoas na tua vida, quero um só meu!
Não quero dar definições a tudo o que sinto..quero apenas que me deixes senti-las!
Não quero promessas, quero verdades!
Não quero que definas o que sentes, quero que me facas sentir que sou única para ti.
Não quero dar nomes a tudo, mas quero dar significados..
Não quero ter a razão absoluta em nada, quero que me tires a razão..
Não quero que me leves ao melhor restaurante que conheces, quero que cozinhes para mim.
Não quero que digas que te levo ao céu…quero que me faças saltar de um avião e que te atires de cabeça..
Não quero que digas que faço melhor alguma coisa do que alguém, quero que me abraces e digas “não saias daqui”!
Não quero que procures a fotografia perfeita, uma que gostes, quero que te rias de todas.
Não quero que corras atrás de mim, quando viro costas chateada, mas quero que venhas a correr quando, souberes que lá no fundo, não tens razão para não ir atrás...
Não quero planos, quero sensações...
Não quero calmaria, quero uma tempestade...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

...


Falta-nos dançar e ver o mar...

Gosto de pessoas felizes, de pessoas que me sorriem sem eu as conhecer, de pessoas com gargalhada fácil, gosto de pessoas que têm sempre uma piada, um gesto simpático. Gosto de pessoas que falam comigo na fila do supermercado, gosto de pessoas que dizem o obrigada e o se faz favor naturalmente. Gosto de pessoas sorridentes, gosto de pessoas simpáticas. Gosto de ver pessoas a cantarem sozinhas no carro. Gosto de pessoas com boa energia.
Espero cruzar-me com muitas hoje. Dizem que é contagioso...

Dói o silêncio

Quando estou em fases, digamos que menos boas, recebo muitos mais emails. Desde o post do telemóvel que não toca, tenho lido histórias de (des)amor inacreditáveis. Há imenso desencanto em todas elas o que me deixa triste, porque embora não seja propriamente uma romântica e daquelas fervorosas crentes no amor, vejo que ele existe à minha volta e acredito que é possível ser-se feliz com alguém ao lado. Uma das queixas mais comuns em todos os emails é o silêncio do outro lado, a ausência de um gesto, de uma chamada para saber como estamos, isso é o que dói mais. O silêncio, como eu costumo dizer, dá para tudo. Dá para pensarmos em tudo, em várias hipóteses, porque o silêncio pode ser qualquer coisa. Nunca fui boa a interpretar silêncios e já deixei de o fazer, mas que dói, dói. Ontem recebi um email de uma leitora que dizia: "O que mais me está a custar é o silêncio. O facto de parecer que para ele não existo.". Será que é possível alguém existir no silêncio? Será que é possível eles se lembrarem de nós e mesmo assim não quererem ouvir-nos ou saber como estamos?
Mas a mim o que me custa mais no silêncio, é a ausência de notícias dele.

Foi há 11 anos...

... que nasceu um príncipe. Foi o primeiro, era um varão como se quer e depois dele só nasceram princesas. Ele por vezes irrita-se com tantas raparigas à volta, mas a sua tia acha que isso vai fazer dele um rei à altura de um reinado com muitos hectares e muita fartura. Já lida com princesinhas há tanto tempo que vai ser um homem daqueles que todas as mulheres vão querer: um cavalheiro. Parabéns, Luisinho.

E todas ou quase todas as manhãs é isto...

Excluo claro, as manhãs em que no dia anterior comprei um trapinho novo...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tudo muda

"(...)gosto de ti pelo mimo, por esses teu ataques, pelo humor, pelo riso (...)".

MC # 16

Acabei de "atirar" com um exercício de escrita criativa à MC. Safou-se lindamente. Escreveu uma história magnífica. Estou inchada de orgulho.


Agora há pouco, toca o meu telefone. Era o meu vizinho de cima:

- Rita, estás bem? Preciso de um favor...
- Diz...
- O T. não teve uma festa de Halloween de jeito. Achas que posso comprar umas guloseimas para ele e para a MC e amanhã tocávamos aí, tu fingias que as tinhas guardado para ele...
- (eu, comovida) Claro... não gastes dinheiro que eu tenho aqui gomas. Não te esqueças de vir mascarado também... (gargalhadas)

Fiquei comovida, sensibilizada e achei fantástico um homem pensar nisto tudo. Ele é divorciado, gato até mais não e sensível. Aliás eu já escrevi sobre ele aqui e aqui. Meninas ele é do género do que está na foto, mas melhor... e junto com isso, bom pai.

Apagar, não tenho coragem...

Acho que vou imprimir tudo e pedir a alguém para guardar bem longe. Só quero voltar a lê-las quando tudo isto tiver deixado de doer. Acabo sempre por lá ir, sempre. Choro tanto, não é possível, já passou tanto tempo. Dói imenso, uma dor que não sei descrever, parece uma faca no coração e alguém a roda sem parar. Às vezes culpo-me, mas depois penso que deve ser triste passar por aqui e não viver nada semelhante.

Vou meter tudo num baú cheio de tralhas por cima.

O que jamais suportaria no meu homem # 3


Que não fosse cavalheiro. Detesto homens sem maneiras.

No meu caso as grandes diferenças têm muito menos peso que as pequenas semelhanças.

Hoje é outro dia...

Começa um novo dia, uma nova semana e até quem sabe, uma nova vida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Coração

Hoje, o meu, parece que a qualquer momento vai rebentar de... saudade.

Esperamos que sea niña



Adoro este anúncio. Simplesmente, adoro. É tão nosso, tão feminino.

A trégua - Mario Benedetti

Há mais de um ano que um livro não me fazia chorar desta maneira. Não vou dizer que delirei com o livro, mas gostei. A parte final, li-a como se fosse uma despedida e chorei até perder a respiração. Valeu, quanto mais não fosse pela intensidade do fim.

" (...) Ali, no peito, perto da garganta, é ali que a alma deve estar, como um novelo. (...) Consegui respirar, pareceu-me que a golfada de ar vinha do estômago. Consigo sempre respirar quando alguém explica as coisas. O deleite perante o mistério e o gozo perante o inesperado são sensações que, por vezes, as minhas modestas forças não suportam.".


" (...)Era (como é que eu posso explicar-lhe?) um ser limpo e ao mesmo tempo intenso e ao mesmo tempo com pudor da sua intensidade (...)".

No meio de tudo isto, ter que estudar com a MC o esqueleto é de bradar aos céus.

Dava tudo por um mergulho no mar. Só isso me conseguiria lavar a alma hoje.

Mais um dia sem ti, mais um dia sem ouvir a tua voz. A minha alma está mais quieta, mas ainda treme quando penso em nós. Todos os dias sonho contigo, todos. Não são sempre sonhos, por vezes assemelham-se mais a pesadelos, mas são tão reais. Todos os dias acordo estremunhada, sem saber naqueles primeiros minutos se foi real. Depois caio na "minha real" e vejo que te perdi, sem nunca te ter tido. Será possível? Para mim foste meu, naqueles breves momentos DO abraço. E há uma parte tua viva dentro de mim, a parte em que eras: generoso, sorridente, amigo, altruísta, doido, simpático, sensível, bem-disposto, com carácter, paciente, com um coeficiente de inteligência emocional acima da média, essa parte vai viver sempre dentro de mim. O que veio depois, está a morrer aos poucos. O outro vou guardá-lo dentro de mim para sempre. Nos dias menos bons, vou lembrar-me daquele que foi meu por um minuto e vou sorrir com certeza. Obrigada por isso. (...) *


* este post é parte de um outro publicado no meu blogue secreto