terça-feira, 23 de novembro de 2010
A voz da minha consciência
Diz para eu ir com calma. A voz da minha consciência - tal, como diz uma leitora - diz-me para eu ter cuidado com quem me envia poemas. A voz da minha consciência diz que ela tem toda a razão. Foi assim que o bandalho me abordou: com poemas. Mas o bandalho usou os poemas a propósito de nada, usou-os só para o charme. O R. não. Usa-os porque falamos neles instantes antes, porque têm a ver com a nossa conversa antes. Porque não me tenta entrar na alma de rompante como o escroque fez. Porque está a entrar devagar, pé ante pé e com todo o cuidado. Porque o vejo a analisar as feridas, o outro esteve se nas tintas para as feridas. Aliás, o outro abriu outras em cima de umas quantas que ainda não tinham fechado e pôs-se a andar. Este tem uma curiosidade delicada, o outro tinha uma curiosidade sedenta de tudo. Este é calmo. Este tem uns olhos doces, o outro tinha uns olhos cheios de amargura que por vezes me davam medo. Este tem um sorriso franco, com a boca e com os olhos e faz ar de menino. Menino com barba de três dias, mas menino. Este diz que gosta de conversar comigo e quando está comigo parece que só nós existimos. Este diz que a conversa é agradável, mas sobretudo interessante. O outro estava sempre com pressa, sabe-se lá bem para quê. Ou melhor, eu sei. Para falar com a Heidi. Este é centrado, tem tudo equilibrado. O outro é workaholic e isso diz tanto de alguém. Uma pessoa que só liga ao trabalho mostra bem o desequilibrio que tem. Nós somos um conjunto de muitos aspectos da nossa vida, não só o trabalho. Trabalhe para viver, não viva para trabalhar.Com o R. tenho as defesas levantadas e sei até onde quero ir, com o bandalho foi ele que deu as cartas e eu calhau como só eu, aceitei jogar aquele jogo sujo e porco.
A voz da minha consciência diz para eu ir com calma e eu vou. Vou com muita calma, porque para mim isto é uma amizade.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Frase do dia
Pedido de ajuda
Preciso da vossa ajuda para um trabalho muito giro que vou fazer para uma revista, depois conto tudo, tudo...Preciso urgentemente de documentação sobre a Mulher angolana do séc. XXI. Como é a mulher angolana de classe média e média alta, nos dias de hoje? Preciso de tudo o que me possam arranjar. Já me lembrei da RTP África, da Câmara de Comércio Luso Angolana. Têm mais ideias? Gostar, gostar, gostava de uma tese de sociologia sobre a mulher angolana. Acham que me podem ajudar?
A quem conseguir ajudar a Ritinha um cutchi cutchi... cá beijinho. É que estou mesmo desesperadinha...
A minha amiga Bárbara, agora mesmo, ao telefone:
- Rita, eu acho que estás a dar muita importância a esta história toda. A falar muito disso no blogue.
- B. eu não estou a dar importância. Isto é mesmo importante.
Acho que acabou por perceber. Isto é importante para mim. É importante eu falar disto. Quem não quiser ler, não leia. Tão simples, não? Ah e aviso já que vou voltar a falar do F. e do que me apetecer. Ok?
Pergunta número 28
Eu devo andar muito maluca. Mas que género de mulher que conhece um homem e em três semanas o apresenta ao filho como namorado? E eles burros como só eles, encaram isto como uma prova de amor. Deus meu, que mundo é este? Depois espantam-se com tanta superficialidade. Dão uma queca, já é para a vida. E toca a brincar às famílias felizes. É o que digo começam as relações pelo fim. Para que precisam dos filhos para se conhecerem? Para que precisam dos filhos para namorarem? Eles não vão fazer diferença. Farão diferença sim, no futuro, quando a relação estiver cimentada. Agora com 3 semanas de namoro, desculpem-me mas é imaturidade, é show-off e muita irresponsabilidade. Tenho cá um felling que daqui a nada a rapariguinha em questão está grávida. A quanto apostam?Post privado
Não deixo de ter raiva, é triste mas é verdade. Já por diversas vezes te fiz esta pergunta: porquê eu? porquê a mim? Eu estava quieta, estava no meu canto. Não se passava nada de especial, excluindo a nortada da minha terra, tudo era sereno. Tudo era uma calmaria. Eu sou feliz assim: com as pequenas coisas da vida. Ao contrário do que possa parecer aqui no blogue, não procuro um amor, não procuro ninguém. Só quero estar quieta, com a minha filha e os meus amigos. A maior prova disso é que ao fim de 4 anos e meio de separação, estou sozinha. Eu não ambiciono o que as princesas do sec. XXI ambicionam: um príncipe. Eu ambiciono paz, saúde e calma para mim, para a minha filha, família e amigos. Mais nada. Gosto de viver aqui no lugar onde vivo, gosto destas pequenas coisas que este lugar me proporciona. Quero ter um emprego que me realize, ter dinheiro, ter a minha filha comigo e o resto virá se tiver que vir.Eu não te procurei, F. Aliás, aqui entre nós os dois que ninguém nos ouve, pedi-te vezes sem conta para saires, para ires embora e tu foste sempre ficando e eu que gostava de ti fui-te deixando ficar. Fui covarde? Fui. Mas o meu coração é fraco para estas coisas do amor. Eu disse-te só amei uma vez na vida. Vê lá tu, 37 anos e amei uma vez na vida. Eu não sei jogar, eu não sei fingir e tu sabes. E mais grave, tu sabes que sabes e sabes que eu não sei. E continuaste a jogar. Porquê, F.? Continuo a perguntar, porquê a mim? Descreveste-me tão bem no ínicio. Disseste-me que se via que era boa pessoa, que até estranhavas haver alguém com a minha idade com esta candura (palavras tuas), que parecia um personagem de um livro. Porquê marcar uma pessoa com essa maldade? Com essa crueldade? Porquê a mim? Tanta cabra que para aí anda a precisar de umas lições. Porquê eu? Eu dei-te tudo o que tinha de melhor, fui pura contigo, honesta, verdadeira, nunca tive merdas, nem subterfúgios, estive sempre aqui de braços abertos, fui sempre preocupada contigo, fui sempre tua amiga, tive o maior dos carinhos por ti, pensava sempre em ti, sonhei contigo meses seguidos todas as noites, tantas vezes acordei de madrugada só para falar contigo. Porquê a mim F.? Porquê? Eu estava quieta, eu não fiz nada. Eu não te convidei para entrares na minha vida. Tudo o que aqui escrevo não é uma cobrança, também já te disse vezes sem fim que não eras obrigado a gostar de mim. Mas, podias ter-me respeitado. Assim, como te respeitei até quinta-feira. Disse-te uma vez: entraste na minha vida como um vendaval, desarrumaste tudo, foste embora, bateste com a porta e ainda gritaste do outro lado: agora arruma tu! Não tinhas o direito de não me ter defendido perante tudo aquilo. Além de ficares do lado da Heidi (para não lhe chamar cadela que é o que ela é, mas não quero esse nome mais aqui no blogue), não acreditaste em mim. Eu que nunca te menti, eu que te avisei que isto ia acontecer. Eu avisei-te que isto ia acontecer. E não contente com o que fizeste (ou melhor, não fizeste) ainda lhe foste contar coisas da minha vida, nomeadamente falar da MC. Ela manipula-te, já reparei. Vi pelas mensagens. E ela é má. Vou dar-te só um exemplo, eu enviei-lhe uma mensagem a dizer que não lhe desejava mal nenhum, que só continuava a falar contigo ao telefone porque não fazia a mínima ideia da existência dela, que a culpa era tua não nossa. Ela respondeu cordialmente. Dei o assunto por encerrado e passadas duas horas volta a mandar mensagem a insultar-me. Eu sei que acreditas é nela. Eu sei. Porque são as cabras que ganham sempre, porque são as sonsas que ficam com a melhor. Mas ainda agora me pergunto, se é deste género que gostas. Porquê eu? Porquê a mim? Eu estava tão quieta no meu canto. Não me meti contigo, nem sonhava que existias. Porquê a mim?
Adenda: que prazer mórbido é este de fazer mal a alguém que nem conhecemos? que prazer mórbido é este de espezinhares (como fizeste naquelas mensagens) quem tão bem te quis?
domingo, 21 de novembro de 2010
Frase do dia
Outra resposta a um comentário:
Ontem perguntaram-me senão haveria nada sublinhado no livro de poemas, ou um papel com recadinhos. Pois não, não havia. Mas havia um marcador, que marcava isto:
Noites Bravias - Noites Bravias!
Estivesse eu contigo
Tais noites o nosso
Deleite seriam!
Fúteis - os Ventos -
A coração em porto -
Inútil a Bússula -
Como o Mapa inútil!
Remando em Éden -
Ah, o Mar!
E eu ancorar - Esta noite -
Em ti!
Emily Dickinson
Outro post acerca de um comentário que aqui deixaram: que eu não devia falar tanto do bandalho (estou apaixonada por esta palavra: bandalho. é mesmo o que ele é). Passo a explicar: a explicação é a mesma do último post e do outro da semana passada. O meu blogue é pessoal e eu escrevo sobre o que me vai na alma. A escrita para mim é como um processo de catarse, liberta-me. Ora vejam se entendem: se quando eu estava apaixonada pelo filho da mãe escrevia-o aqui, a minha raiva também é escrita. Porque eu escrevo o que está dentro de mim. Eu escrevo sobre o que sinto, sobre o que penso, sobre o que me apetece "gritar" ao mundo. Isto não é dar-lhe importância (a ele), isto é dar importância, sim, a mim, ao que eu sinto, não fingir que não o sinto, assumir que o sinto, dar-me o direito de sentir. Eu tenho raiva dele, eu tenho-lhe um ódio visceral. Detesto estes sentimentos tão negativos, e acho que a escrita vai ajudar a livrar-me deles. É por isso que escrevo. É para mim. É claro que podia escrever no outro blogue (no secreto), mas aí ninguém lê, aí não tenho feedback. Eu (agora) preciso que me leiam, preciso de palavras de apoio, de incentivo, de palavras cruas, de palavras que me ajudem a acordar desta filha da putice que ele me fez, eu preciso de entender porque é que há pessoas assim. Eu quero escrever mal dele e vou escrever, até esgotar, até à última palavra. Para contar que me enganaram, que se pintaram de uma forma de pessoa bestial e que afinal ele era uma besta. Porque a mim apetece-me gritar isso ao mundo, porque faz sentido que eu avise quem me lê que estes cabrões andam aí à solta. Que esse cabrão não me deve nada, que nunca me foi nada, mas que eu me dei a ele de alma e coração aberto e ele devia só por isso, ter-me respeitado. Que esse cabrão, que tanto condenou o M. por determinadas atitudes deixou a cadela da namorada fazer-me o mesmo e ainda se riu de mim com ela. Que esse cabrão deixou aquela mulherzinha que não me conhece de lado nenhum chamar-me de todos os nomes. Que esse cabrão contou tudo da minha vida a essa mulherzinha, até da minha filha lhe falou. Eu que lhe contei coisas íntimas da minha vida (íntimas mesmo) porque confiava nele, e essa mulherzinha já as sabe. Porque esse escroque marcou-me o coração pela negativa, porque esse escroque vai impedir-me de tão cedo confiar em alguém, porque esse escroque vai dificultar a vida a alguém que se queira aproximar de mim, porque esse escroque ri-se do que eu senti por ele, porque é isso mesmo um escroque. Deviam ser objecto de pena duas pessoas assim, mas não consigo. Ele é um covarde, ele é vil, é baixo, descreveu-me de uma forma que eu não sou ( e ele sabe que não sou) só para se proteger, só para fingir de novo que é uma excelente pessoa e ela (a cadela) acreditou. É triste, mas vem aí outra lorpa para a vida dele e outras se seguirão.
Agora mesmo publiquei um comentário de uma leitora que me dizia que esperava que esta minha ida à garagem me trouxesse ansiedade da boa (que daquela má eu vou fugir a sete pés). Pois, eu quero dizer algumas coisinhas acerca deste assunto: a minha ida à garagem teve a ver com uma infiltração. Ele investe em arte e aqui há uns tempos tinha lá deixado umas coisas na minha box e fomos ver os dois o que se passava. Já aqui tinha falado na relação óptima que tenho com os meus vizinhos e já aqui disse o que acho deste em particular. Nós fomos lá resolver um assunto dos dois. Não sei o que é que aconteceu e como aconteceu, mas aquilo deixou de ter a ver com os quadros e passámos a falar de nós. Nada da nossa vida, mas da nossa existência. E queríamos ficar ali os dois, numa garagem húmida, gelada, pequena, só os dois. Eu não sei o que aconteceu, aliás sei: não aconteceu nada. Aconteceu que duas pessoas se deram bem e como ele me disse: tu compreendes-me e isso é bom e reconfortante. Depois subimos até à porta de minha casa e de novo não queriamos parar de falar. Ele subiu a casa e de seguida trouxe-me o livro e filmes. Disse-me: não são obras cinematográficas, mas atenta nos diálogos. E foi de fim-de-semana com o filho. Foi isto, não foi nada. Ou se calhar foi, mas eu não sei. Eu sei é que já estou a ler as poesias e preparo-me para ver os filmes. E que vamos tomar café e que se calhar vamos ser amigos e que se calhar isso é bom: sermos amigos.Sabemos que não estamos disponíveis emocionalmente, sabemos que foi só uma conversa, uma troca de textos, uma troca de mensagens, uma troca profunda de olhares. Mas isso não é nada. Ou é, o começo de uma amizade. Eu acabei um relacionamento muito intenso (vivido só por mim e apelidado pela pessoa com quem o vivi com o um caso) e só se fosse maluquinha é que me meteria agora noutro. Se só 5ª feira descobri que andei apaixonada por um escroque, como poderia 6ª olhar para outro homem. Estou fragilizada e magoada, tenho essa consciência e nunca avançaria para nada sabendo que não estou preparada, que me posso magoar, magoar outra pessoa. E sobretudo sabendo que a outra pessoa também está ocupada emocionalmente.
Escrevi este texto, para que percebam que não sou uma doidinha que me meto com todos os homens. Se em 4 anos e meio de divorciada só me apaixonei pelo bandalho, já podem deduzir que não sou uma doidivanas. Nutro pelo meu vizinho o maior dos respeitos e desde 6ª feira ainda mais. Mas tudo com calma e tudo com leveza. Ele está aqui em cima, todos os dias, o que tiver que ser será. E até é provável que não seja nada.
Não deixa de ser um gato pestanudo, despenteado, com ar de menino, de uma educação sem fim (daqueles que segura a porta, carrega os sacos, cede-me lugar para estacionar o carro mais perto de casa, etc), de uma meiguice com a minha filha, um óptimo pai, com um ar de mal ajambrado que eu adoro, mas... não deixa de ser só o meu vizinho. Um vizinho com o qual não me importava de estar agora na garagem com uma termos com café a ouvi-lo falar... só a ouvi-lo falar. Mas não deixa de ser um vizinho.*
*já devem ter reparado que este é dos primeiros posts realmente explícito no meu blogue. se calhar nos próximos dias outros se seguirão. é sobre o que me apetece escrever. isto vai passar. não escreverei nada que me possa prejudicar a mim ou a terceiros. mas quero escrever sobre estes assuntos. lembram-se do que disse aqui? Pois, eu sou assim: verdadeira e a minha escrita também.
Para ti, R
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! "Florbela Espanca, «Cartas a Guido Battelli»
Acabei de enviar-te este texto para o telemóvel, vi que gostaste e acho que é o que nos define, nisto somos parecidos. Disseste há pouco que somos uns inadaptados, uns incompreendidos nesta sociedade tão superficial. Talvez. Mas é isso que nos faz diferentes - mais intensos, únicos. E a vida sem intensidade não tem graça nenhuma. Obrigada, meu vizinho preferido.
O comentário que deu post # 7
A propósito deste post:
"Quem dá, nunca perde! Perde sim, quem não sabe como receber."
E eu acrescentaria, que perde quem não sabe respeitar. Não somos obrigados a gostar de ninguém, mas somos obrigados a respeitar toda a gente.
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